Mais de 77% dos brasileiros consideram o país como muito burocrático e outros 62% afirmam que a redução da burocracia precisa ser uma das prioridades do governo federal. Segundo a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, os brasileiros acreditam que o excesso de regulações, documentos e exigências contribuem para aumentar os gastos públicos, estimulam a corrupção e favorecem a informalidade. As empresas também são extremamente penalizadas por esse problema seja na abertura de uma nova unidade, na obtenção de crédito ou em uma simples alteração de um contrato social.

É para mudar essa realidade que tramitam no Congresso nacional uma série de projetos de lei que têm como objetivo, ao menos em teoria,  desburocratizar e simplificar os inúmeros procedimentos que, até então, devem ser observados e adotados pelos empresários. No entanto, tais medidas, haja vista a conhecida morosidade no processo legislativo e mesmo a falta de vontade política por parte da grande maioria dos parlamentares, acabam não avançando, impedindo a geração de atrativos para o surgimento de novas empresas.

Uma dessas medidas é o PLS 214/2014 que, recentemente, foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), do Senado, que prevê o fim da necessidade de reconhecimento de firma e de cópias autenticadas em cartório no âmbito do poder público. O objetivo é reduzir a burocracia e diminuir custos. O projeto está em análise na Câmara dos Deputados.

Além disso, os novos investidores sofrem com as dificuldades enfrentadas na busca pela aprovação de projetos, junto aos órgãos públicos competentes, como, por exemplo, os inúmeros procedimentos burocráticos que o empreendedor deve ultrapassar para obter as licenças, alvarás e demais habilitações necessárias para o desenvolvimento das atividades empresariais. Tais dificuldades também são enfrentadas pelos investidores na hora de obter benefícios fiscais, decorrentes das atividades a serem desenvolvidas, inclusive, quanto ao cumprimento das diversas obrigações tributárias acessórias que devem ser observadas pelos contribuintes, sejam brasileiros ou estrangeiros.

Para grandes empresas, a burocracia é parte do custo de se empreender no Brasil, algo inconveniente e desestimulante, mas perfeitamente contornável se o resultado remunerar esse custo. Para empresas de médio e pequeno porte, no entanto, muitas vezes essa burocracia não apenas desestimula, mas impede o investimento, pois exige uma capacidade de financiamento muitas vezes maior do que seria razoável. A burocracia muitas vezes aumenta a necessidade de fluxo de caixa para financiar os primeiros meses de vida de uma empresa. Especialmente quando não busca assessoria de bons advogados e contadores, é comum o empresário precisar pagar alugueis e salários antes de poder iniciar realmente suas atividades. Outras vezes, o local escolhido como o de sede da empresa não comporta as atividades que serão desenvolvidas e a locação precisa ser rescindida, gerando o pagamento de multas que consomem o capital disponível.