De acordo com o indicador Serasa Experian, no primeiro semestre de 2018 o número de recuperações judiciais de empresas sediadas no Brasil aumentou 9,9% em comparação com igual período de 2017. Foram, ao total, 753 pedidos contra os 685 registrados no acumulado de janeiro a junho de 2017. Algumas grandes empresas, como a Livraria Cultura, SHC (representante da JAC Motors no Brasil), Sete Brasil, Máquina de Vendas (dona da rede Ricardo Eletro), dentre outras entraram com o pedido de recuperação judicial no país neste ano, refletindo a extensão da crise financeira e do caos político econômico no país.

“É preciso ter em mente que a recuperação judicial, quando e se bem estruturada e executada, é um excelente recurso para as empresas que se encontram com dificuldades no mercado, diante da recessão vivida nos últimos anos no Brasil. Espera-se para os próximos anos, um novo cenário, de estímulo à atividade econômica, o que poderá alavancar muitas empresas que atualmente encontram-se em recuperação”, afirma Raphael Zaroni, sócio do Zaroni Advogados”.

São poucas as empresas que conseguem se reerguer após a formalização da situação de recuperação. Isso porque, por vezes, a empresa demora a admitir que está passando por um período de crise, fazendo com que, no momento do requerimento da recuperação, seu passivo esteja significativamente maior que o seu patrimônio, estando praticamente em situação falimentar. Outro óbice ao êxito da medida é a elaboração pela empresa de um Plano de Recuperação Judicial infactível e/ou que atenda desproporcionalmente aos seus interesses, reforçando o conflito existente entre a entidade e seus credores; obstando, por consequência, a aprovação pelos mesmos do plano proposto e dificultando a sua execução.